Caro visitante,

as narrativas deste blog são de uma viagem realizada em 2009, via terrestre. O pior trecho de estrada, na época, era aquele situado de Iñapari a Puerto Maldonado e desta última cidade até Cuzco, tudo no Peru. Todavia, informações mais recentes (2011/2012) dão conta de que houve significativa melhoria daquelas vias, e que é mesmo possível percorrê-las em um carro convencional ou de moto.

Para facilitar a navegação, utilize o índice localizado do lado esquerdo da página, seguindo os posts de acordo com a numeração. Nesta página inicial estão todos na ordem oposta.

JANEIRO DE 2014: Relatos recentes de amigos que fizeram a viagem por terra em dezembro/2013 e janeiro/2014 dão conta de que houve desmoronamento no trecho entre Puerto Maldonado e Cusco, por isso é pouco recomendável percorrê-lo de ônibus ou carro no período, sob risco de ter que voltar ou ficar “preso”. É recomendável consultar as autoridades antes, já que os peruanos estão habituados a esse tipo de incidente e costumam resolvê-lo com alguma rapidez, obviamente a depender da gravidade.

Como disse antes, compramos as passagens de ônibus para Uyuni em La Paz, sem fazer qualquer reserva para o passeio de três dias no salar, porque eu queria conhecer as empresas ao chegar na cidade, olhar os carros, etc. Não lembro quanto custou a passagem (posto assim que encontrar o valor), mas escolhemos um ônibus bem confortável, com poltronas reclináveis, já que sairíamos de noite para chegar em Uyuni de madrugada. No meio da noite paramos em um pequeno restaurante/bar para comprar bebida e comida. Fazia muito frio.

Uyuni é uma cidade ao Sul da Bolívia, com cerca de 11 mil habitantes. É pequena, e, durante o meio do ano, as temperaturas são muito baixas (fica a 3.670m sobre o nível do mar). Assim que descemos do ônibus ainda estava escuro, e era difícil não tremer de frio. Do lado de fora, aguardando a nossa descida, estavam alguns bolivianos oferecendo pacotes turísticos de passeio pelo deserto de sal. Enquanto alguns turistas eram praticamente arrastados pra dentro das empresas, preferi buscar um hotel para que nos abrigássemos do frio. Encontramos um com aquecedor, apenas três camas, mas expliquei pro boliviano que ficaríamos poucas horas.

Clarear do dia em Uyuni

Todo o receio a respeito da empresa a ser contratada (há muitas na cidade), para um passeio de três dias em uma região inóspita, não é vão; li e ouvi no caminho muitas histórias a respeito de panes mecânicas, pneus furados, motoristas bêbados, atolamentos, etc., e tudo isso no meio do deserto, com temperaturas negativas, sem telefone ou coisa parecida.

Assim que vimos na rua um Toyota Land Cruiser, que parecia novo, demos uma conferida e perguntamos a qual empresa pertencia. Conversei por vários minutos com o “gerente”, falei dos receios e ele, como era de se imaginar, disse que ficasse tranquilo. Pedi que fôssemos no carro que vimos na rua, com o que ele concordou.

Toyota Land Cruiser da empresa Latitudes Expediciones

Fechamos então negócio com a empresa Latitudes Expediciones, e já adianto que foi tudo muito tranquilo. Ainda assim, repito, prefira dar uma olhada nos carros antes de contratar. O passeio, de 3 dias, custou US$ 80 por pessoa; o valor pode parecer alto, mas inclui hospedagem e alimentação durante este período. Com o grupo costumam ir o motorista e uma cozinheira.

Enfim. O famoso Salar de Uyuni constitui a maior planície salgada do mundo (12.000 km²), e é a principal razão pela qual as pessoas vão até Uyuni.

Dia 1 – Cemitério de Trens, Fábrica de sal, Ilha de Incahuasi e Hotel de sal

Era bem cedo quando fechamos negócio, e saímos por volta de 8h da manhã para o que seria o nosso 1º dia no famoso Salar. Aproveite as primeiras horas antes do passeio para comprar bebida e comida para os intervalos (o seu pacote provavelmente incluirá café-da-manhã, almoço, café-da-tarde e jantar). Carregue bem a câmera fotográfica; diz-se que a enorme quantidade de lítio sob o salar faz com que as baterias se descarreguem mais rápido; mas talvez seja simplesmente porque você as esteja usando muito.

A primeira parada, o Cemitério de Trens, fica a uns 15min da cidade. Ventava muito forte (e com o vento muita poeira). A explicação pra esse curioso cemitério, dada pelo nosso querido motorista Abel, é que os trens foram trazidos pelos europeus (britânicos), nos idos de 1890, para o transporte de minerais (como cobre, entre outros) ao pacífico. Os trens foram abandonados com o colapso do setor mineireiro.

Cemitério de trens

Abel, o simpático chauffeur

Depois do cemitério ainda paramos em uma barraquinha, a pedido, para comprar água frutas e chocolate, já que depois dali seguiríamos pro deserto de sal e outras localidades praticamente inabitadas.

Deixando Uyuni em direção ao Salar

Chegamos então ao local em que os bolivianos extraem sal. Note na foto abaixo que o capô do carro, branco, praticamente se mistura com o ambiente. Indispensável levar óculos escuros.

Salar visto de dentro do carro

Salar de Uyuni

Saindo dali rumamos ao mais famoso Hotel de Sal (há outros), localizado no meio do salar, mas que atualmente está desativado para visitas. Tudo é mesmo feito de pedras de sal (a pouca umidade faz com que não se desintegrem). Em frente há um círculo de pedra com bandeiras de vários países.

Hotel de Sal (fechado)

Mais em seguida.

La Paz é a cidade mais populosa da Bolívia, e fica a 3.660m de altitude. Normalmente faz frio, e no inverno a temperatura pode ficar negativa.

Nós saímos de Copacabana de tardezinha, e a viagem até La Paz levou cerca de 3 horas de ônibus. Seguem algumas fotos do trajeto:

Caminho entre Copacabana e La Paz (ao fundo o Lago Titicaca)

Balsa entre Copacabana e La Paz

Entre Copacabana e La Paz será preciso atravessar uma balsa; enquanto o ônibus da companhia vai por um barco, os passageiros descem e pegam um barquinho, pagando uma pequena taxa por isto.

Barco que faz a travessia de pessoas entre Copacabana e La Paz

mais uma

Por recomendação de um brasileiro que conhecemos em Copacabana, nos hospedamos na primeira noite no Hotel Torino. Fujam de lá. A diária mais baixa era de Bs. 35, mas esse não era o problema; não havia agua quente, apesar da promessa dos funcionários de que bastava esperar entre 10 e 15min com o chuveiro aberto (por incrívl que pareça). Além disso, o banheiro era sujo, muito sujo. A única coisa boa foi que eles possuem funcionários que trabalham só com o turismo, então conseguimos agendar um passeio ao Chacaltaya, um pico a uns 30km de La Paz que possui 5.420m de altitude. Agendamos o passeio e fomos no dia seguinte; no dia da chegada andamos um pouco por La Paz, aproveitando para comprar roupas de frio, já que depois de lá iríamos para Uyuni, no deserto, conhecida por temperaturas extremamente baixas durante a noite.

Passeio pelo centro de La Paz

...

La Paz

O passeio até o Monte Chacaltaya, com ida até a Isla de la Luna (desistimos deste último em razão do cansaço), custou Bs. 50 por pessoa (uns R$ 14). Saímos bem cedo do tal Hotel Torino (onde contratamos a empresa de turismo) já com as mochilas nas costas, a fim de encontrar outra hospedagem na volta do passeio. Mas essa história conto em seguida. Acho que em cerca de 1h30 ou 2h estávamos no monte, onde é preciso pagar mais Bs. 15 (+/- R$ 4,30) para entrar (na Isla de la Luna paga-se o mesmo valor). No caminho, que tem trechos muito altos e perigosos (lembre-se, La Paz está a uns 3.800m e o Chacaltaya a uns 5.300m), para-se para tirar fotos.

Caminho até o Monte Chacaltaya

...

Nosso carro era o branco

Entrada do "Club Andino Boliviano", no Monte Chacaltaya (aqui a 5.300m)

Depois de pagar a entrada você começa a subir, a pé, por um trecho de mais uma centena de metros, mais ou menos. É extremamente cansativo em razão da altitude, por isso caminhávamos, sentávamos, depois voltávamos a caminhar, etc. Leve água. Aqui o nosso querido guia nos ofereceu folhas de coca para mascar.

Chacaltaya, a cerca de 5.400m sobre o nível do mar (note as nuvens ao fundo)

O tal Club Andino costumava ser um parque de esqui, mas por falta de neve está fechado há muitos anos. Praticamente toda essa região, da entrada do parque até a vista na foto acima, costumava ser coberta por neve. Segundo o guia, há mais neve no verão (hemisfério sul), mas há muito não é o suficiente para esquiar; pra ser ter uma ideia de como costumava ser nos anos dourados, segue uma imagem do nosso bilhete de entrada, que possui uma fotografia da época.

Bilhete de entrada para o Monte Chacaltaya

Regressamos a La Paz, passando na volta pelo “El alto”, que é uma espécie de subúrbio (o nome é explicativo, fica no entorno alto da cidade boliviana).

El Alto

Pois bem. Como já disse, voltamos do passeio exaustos (desistimos da Isla de la Luna), e começamos a andar à procura de um albergue. Os três primeiros não tinham vaga (não fiz reservas), mas achamos um chamado Hostal República (http://www.hostalrepublica.com), que nos cobrou US$ 15, por pessoa, em um quarto para seis, com banheiro, água quente e uma pequena cozinha, com frigobar. Era bem localizado, confortável e limpo. Perto dali ficavam os famosos albergues Loki Backpackers e o The Adventure Brew, famosos pelas festas. De noite fomos pro Loki, onde há um bar e o pessoal costuma se reunir. É só bater na porta (mas depois de certa hora você é convidado a se retirar, em respeito ao descanso dos hóspedes). De lá, depois de conhecer muita gente, fomos pra outras duas boates, cujos nomes, por razões de álc… altitude, não lembrei de anotar.

Seguindo o roteiro, de La Paz fomos pra Uyuni (cidade ao Sul da Bolívia), onde fica o famoso deserto de sal. Conseguimos comprar as passagens de ônibus no próprio Hostal República, ainda em La Paz. A história fica pro próximo título.

Terminal de Buses de La Paz

>>> Até aqui:

  • Hospedagem (uma noite) no ruim Hotel Torino: Bs 35;
  • Passeio até o Monte Chacaltaya (+ Isla de La Luna): Bs. 50;
  • Entrada no Monte Chacaltaya (Club Andino Boliviano): Bs. 15;
  • Hospedagem (uma noite) no Hostal República: US$ 15.

Obs1: Em La Paz considere visitar, além do Monte Chacaltaya, a Calle (rua) Sagarnaga (onde há muita informação turística e lojas de todo tipo — um bom ponto de início), o Parque Laikacota (vista panorâmica), a Plaza, o Museo e a Catedral de San Francisco, entre outros. Se possível, faça a reserva do albergue com antecedência. Uma vez alojado, converse com os funcionários a respeito dos bons lugares a visitar.
Obs2: Nossa moeda vale bastante na Bolívia, por isso há muita gente que prefere ficar em bons hotéis, bem como pagar mais caro pelos ônibus mais confortáveis.

Copacabana, na Bolívia, “é a principal cidade do entorno do Lago Titicaca“, fica a uns 150km de La Paz, a cerca de 3.800 metros de altitude e tem algo como 6 mil habitantes (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Copacabana_%28Bol%C3%ADvia%29). Da fronteira com o Perú até aqui gastamos uns 15min de automóvel.

Chegamos lá durante a noite, nós e os franceses, e logo conseguimos hospedagem em um hotel cujo nome eu não me recordo, mas que fica na principal ruazinha que leva ao lago Titicaca.

A hospedagem, como todo o resto na Bolívia, foi muito barata (ao menos para nós, brasileiros). O quarto com três camas, televisão e banheiro (com água caliente – mais ou menos, na verdade) custou Bs. 20 diários por pessoa (algo como R$ 5). Conseguimos ver a final da Libertadores daquele ano, en español, claro!

Hospedagem em Copacabana (Bolívia)

Logo que chegamos e fizemos o check-in na referida hospedagem, andamos um pouco mais, em direção ao lago, e encontramos um bom restaurante (La Orilla), onde comemos e bebemos muito bem.

Na manhã seguinte, seguindo o roteiro, corremos para comprar passagens de barco até a Isla del Sol, uma ilha sagrada para os incas que fica no meio do lago Titicaca. Achei um mapa para ilustrar o caminho:

Acesso de barco à maior ilha de Copacabana, a "Isla del Sol" (Bolívia)

A ilha do Sol tem 14km² mais ou menos, e é a maior do lago Titicaca. De Copacabana saímos cedo, e a viagem de ida, de barco, leva cerca de 2 horas.

Obs: O passeio até a Isla de la Luna só acontece no verão (hemisfério sul), porque, segundo me disseram os bolivianos,  o passeio durante o inverno é muito perigoso.

Barcos saindo de Copacabana até a Ilha do Sol, pelo Lago Titicaca (Bolívia)

Navegando até a Ilha do Sol, pelo Lago Titicaca (Bolívia)

Chegada à Ilha do Sol (Copacabana - Bolívia)

Na Isla del Sol você terá duas opções: conhecer a parte Norte e ir caminhando até a parte Sul (são 8km, a mais ou menos 4 mil metros de altitude, com muitas subidas e descidas – lembre disso!) ou então apenas caminhar pela parte Norte, durante certo tempo, e depois pegar o mesmo barco até a parte Sul para conhecê-la também. Optamos por caminhar, o visual é deslumbrante; e também cansa muito.

Se optar por fazer a caminhada de 8km, leve dinheiro (boliviano) no bolso. Em cada setor da ilha (Norte, Centro e Sul) alguns bolivianos cobrarão pedágio, uma forma de manter o sustento das pequenas comunidades que vivem por ali. O primeiro pedágio você paga na entrada de um pequeno museu, no setor Norte, com muitos ossos e relíquias. Se você seguir um guia, ao final das explicações é provável que ele também peça algum vintém (nessa hora normalmente o grupo dispersa. rs), e a depender do trabalho executado não custa pagar. Importante: se for mesmo caminhar, lembre-se de que os barcos têm um horário pra voltar pra Copacabana, e por isso esteja lá na hora combinada. Se você perder a hora, terá de pagar bem caro pra algum outro barco privado se quiser voltar no mesmo dia.

Passamos apenas 2 dias em Copacabana, e depois de visitar a Isla del Sol e de comprarmos as passagens para La Paz, caminhamos um pouco pela cidade para visitar a Igreja e o mercado. Seguem as únicas fotos que encontrei da cidade e do ônibus que nos levou para a capital boliviana (postarei mais quando possível):

Copacabana - Bolívia

Copacabana - Bolívia

Copacabana - Bolívia

A Basílica de Nossa Senhora de Copacabana - Bolívia

Copacabana

Copacabana - Bolívia

Imagem de satélite entre Copacabana e La Paz (clique pra ampliar - é possível ver a Isla del Sol bem ao Norte)

>>> Até aqui:

  • Hospedagem por cada noite em quarto de três camas, televisão e água quente: Bs. 20 (+/- R$ 5);
  • Passeio de barco à Isla del Sol: Bs. 20;
  • Pedágios nas partes Norte, Centro e Sul da Isla del Sol: Bs. 20;
  • Passagem de ônibus de Copacabana até La Paz: Bs. 15 (+/- R$ 4).

Esgotados os dias em Cusco (segundo o roteiro inicialmente planejado), o próximo destino era Copacabana, na Bolívia. Para isso compramos uma passagem de ônibus em Cusco mesmo (assim que chegamos lá), na estação rodoviária, que nos levaria até Puno, cidade peruana ao sul do país.

São 8 horas de viagem, por isso saímos bem cedo (e escolhemos um ônibus melhor). Veja o mapa:

Fronteira do Perú com a Bolívia

Entre Cusco e Puno (Perú), uma confortável e bonita viagem de ônibus

Limite entre Cusco e Puno (Perú)

Entre Cusco e Puno, a ‘empoeirada’ cidade de Juliaca (Perú)

Puno (Perú)

Na estação de Puno (algumas pessoas me disseram que na cidade há muita coisa interessante, outras me disseram que não vale a pena), onde havia muita gente de máscara por conta da gripe suína, logo procuramos um táxi ou ônibus para ir até Copacabana, na Bolívia.

Conseguimos, enfim, uma minivan, que inicialmente levaria apenas o nosso grupo. Depois de uns 30min de espera, apareceram 6 ou 7 franceses que fariam o mesmo trajeto, ou seja, cada lugarzinho no carro foi ocupado, e a partir daí encaramos uma viagem de mais ou menos 3 horas e 30 minutos até a fronteira, onde chegamos de noitinha.

Em Puno (Perú) conseguimos esta minivan com destino a Copacana (Bolívia)

Caminho entre Puno (Perú) e Copacabana (Bolívia) (ao fundo o Lago Titicaca)

Bom trecho entre Puno (Perú) e a fronteira boliviana

Chegamos, enfim, a Kasani (Bolívia), onde fica o Posto de Migracion. Como antes, tivemos de apresentar os passaportes, preencher um cartão de entrada na Bolívia e mostrar o cartão de entrada no Perú. Mais carimbos, mais um “cartão de saída” para guardar junto ao passaporte.

Na Bolívia costumam pedir o Certificado Internacional de Vacinação (CIV) (especialmente contra a febre amarela). Para obtê-lo, é simples: vacine-se e apresente o cartão de vacinação (contra febre amarela) na agência da ANVISA de sua cidade. Lá, eles irão verificar a documentação e imprimir o CIV. É gratuito (e não demora). Tire-o antes de viajar. Para maiores informações: http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/Anvisa+Portal/Anvisa/Inicio/Portos+Aeroportos+e+Fronteiras/Assunto+de+Interesse/Certificado+Internacional+de+Vacinacao

Certificado Internacional de Vacinação

Controle de Migração (boliviano) entre Perú e Bolívia

Antes mesmo de entrarmos na Bolívia encontramos, mais uma vez, cambistas. Reforço a sugestão de conferir as taxas de câmbio antes de sair do Brasil. Trocamos os nossos nuevos soles peruanos e nossos dólares pela moeda boliviana. Você pode levar uma rasteira se não souber as taxas de câmbio, porque normalmente nesses lugares ela é calculada para menos. Compare os preços entre uma casa de câmbio e outra e confira as suas anotações antes de trocar o seu dinheiro.

>>> Até aqui:

  • Passagem de ônibus de Cusco a Puno (Perú): PEN$ 45 (R$ 30 /-);
  • Passagem (de van) de Puno a Copacabana (BOL): PEN$ 25 (R$ 17 +/-);
  • Comes e bebes para durante a viagem: PEN$ 15 (R$ 10 +/-).

Obs.: Como não poderia deixar de ser, compre água e comida, porque de Cusco a Puno foram 8 horas de viagem, e de Puno a Copacabana (Bolívia) mais 3 horas e 30 minutos.

Bom, na época em que visitamos Cusco (julho/2009) não havia trens saindo direto de lá para Aguas Calientes (Machu Picchu). Por isso, era preciso escolher sair da estação de Poroy ou de Ollantaytambo até a cidade inca. A cidadezinha de Poroy fica a uns 30 minutos de carro de Cusco. Segue um mapa das linhas de trem:

Mapa de trem até Machu Picchu

Se for possível, antes mesmo de sair do Brasil, faça reservas das suas passagens de trem até Machu Picchu através do site da Peru Rail, a empresa estatal que faz o passeio. Digo isso porque, de um jeito ou de outro, você precisará ir até a lojinha da Peru Rail, e lá terá de pegar uma senha pra ser atendido. Se tiver reservas, pegará as senhas tipo X. Se não tiver reservas, pegará as senhas do tipo Y. Quem tinha reserva é atendido mais rápido.

EM TEMPO: o governo peruano limitou a quantidade de visitantes no parque de Machu Picchu para cerca de 2.500 por dia. Assim, é preciso comprar o ingresso (do parque, que nada tem a ver com o trem) também com antecedência (de pelo menos uma semana), aqui: http://www.machupicchu.gob.pe/ (também há informações e preços para ir a Huayna Picchu, lugar de acesso ainda mais limitado).

Pois bem. Escolhemos sair de Poroy (porque mais perto) e compramos as passagens na sede da empresa em Cusco (qualquer pessoa deve saber apontar o caminho). Na noite anterior combinei com um taxista para nos buscar cedo (você também pode pedir para o pessoal do hotel/albergue chamar um).

De manhã, pegamos o táxi e chegamos a tempo na estação da Peru Rail em Poroy, onde tem um pequeno barzinho vendendo café-da-manhã (desayuno) e outras coisas. De lá, pegamos o trem para Machu Picchu.

Em resumo, há três tipos de trem para Machu Picchu (a viagem leva cerca de 1h30min em todos eles, acredito eu):

O Backpacker (acho que atualmente é chamado Expedition) é o mais simples e mais barato; nada é servido durante a viagem, mas você pode comprar. É pouco espaçoso (você quase encosta os seus joelhos nos da pessoa da sua frente), e por isso tudo o mais barato: na época US$ 48 cada trecho.

O Vistadome é o do meio; servem salgadinhos minúsculos, bebidas não alcoólicas e sobremesa, mas como no anterior você pode escolher comprar vinhos e outras bebidas e comidas. É mais espaçoso, tem uma mesa separando você das pessoas da frente, vista panorâmica, etc. Custava US$ 71 o trecho.

O Hiran Bingham é o mais caro e luxuoso. Cada trecho custa em torno de US$ 500.

Ao chegar na estação de Machu Picchu (você estará na verdade em “Aguas Calientes” – vide foto abaixo), procure comprar as passagens de ônibus até o parque, onde está a cidade sagrada (afinal você não desce do trem direto nele). Entre na fila, compre a passagem, entre em outra fila, entre no ônibus e depois de 15min você chegará ao parque. Há também a opção de ir a pé (cerca de 50min).

Aguas Calientes (Peru)

Depois que chegar ao parque, se informe sobre onde comprar as entradas. Li em vários lugares que o preço era em dólares, mas chegando lá soube que só aceitavam moeda peruana (nuevos soles). Se tiver carteira de estudante com data de vencimento (eles exigem), ainda válida, leve. Você pagará a metade do preço da entrada.

Obs.: com a limitação do número de visitantes diários no parque, compre o bilhete de entrada antes no site http://www.machupicchu.gob.pe/, como informado acima.

Se quiser, como lembrança, carimbar o seu passaporte, também há a opção (gratuita), no mesmo local onde são vendidas as entradas.

Preencha o boleto de entrada (Machu Picchu)

carimbo

Carimbo no passaporte (perdoem o foco!)

Você pode escolher fazer o passeio com ou sem guia. Eles geralmente ficam perguntando por lá, e cobram pelo serviço. Consiga um mapa do parque (gratuito) ao comprar os bilhetes.

Depois disso, a recompensa:

Machu Picchu

Machu Picchu

>>> Em Machu Picchu:

  • Táxi de Cusco até Poroy (ida e volta): PEN$ 60 (R$ 40 +/-);
  • Passagem de trem Backpacker (ida) de Poroy a Machu Picchu: US$ 48 (R$ 84 +/-);
  • Passagem de trem Vistadome (volta) de Macu Picchu a Poroy: US$ 71 (R$ 125 +/-);
  • Passagem de ônibus de Machu Picchu até o Parque: US$ 14 (R$ 25 /- ida e volta);
  • Entrada em Machu Picchu: PEN$ 124 (R$ 82 +/-).

OBS1: Leve água (pra variar) e comida (frutas, biscoitos, etc). Lá você pode até encontrar algo pra comer, mas com certeza pagará mais por isso. No parque você pode se sentar na grama e comer, descansar, desde que não suje o local, que é muito bem conservado.
OBS2: Muita gente costuma dormir em Aguas Calientes, dizem que a noite é muito bonita. Considere.
OBS3:
Para os mais aventureiros há diversas opções (em duração) de trilhas pra se fazer a pé até o parque.
OBS
4:
Muita atenção aos horários dos trens! Esquecer do tempo é fácil em Machu Picchu.

Antes de ir a Cusco, ou a qualquer outra cidade em uma viagem assim, se possível, faça reservas em albergues (ou hotéis, se preferir). Eu sempre utilizo o site Hostelworld. Você pode fazer consultas à vontade, mas pra fazer reservas é preciso criar um cadastro grátis. Na hora de reservar você paga um adiantamento de 10% (com cartão de crédito ou pay-pal) do valor das diárias mais uma taxa de US$ 2 para o site.

Em Cusco fiz reservas no Hospedaje Turistico Recoleta (na época o mais bem indicado no site, que contém comentários de hóspedes anteriores), com diárias a US$ 10 em um quarto compartilhado e sem banheiro (este ficava no corredor). Havia ainda internet, tv e filmes em dvd e mesa de pinguepongue. Converse com os funcionários ou com Javier, o dono, sobre pra onde ir e o que fazer; foram todos muito prestativos. Consiga com eles um mapa da cidade. Há outros albergues, talvez melhores. Pesquise.

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A bandeira de Cusco (sem piadinhas)

Pois bem. Em Cuzco (que pode ser escrito assim ou com “s”), visite a Plaza de Armas (principal), os vários museus (entre eles o Inka, o de Arte Popular, de Arte Religiosa – Palazio Arzobispal), as feiras de artesanato, o mercado central, o parque arqueológico de Sacsayhuamán (sexy woman, como dizem), entre outros. Pesquise.

Considere também comprar um livro sobre o país, com explicações históricas e dicas mais detalhadas que estas, pra não ficar tão perdido. A cidade é interessante e rica, vale a pena caminhar (obviamente depois que já estiver acostumado com a altitude de 3.400m sobre o nível do mar).

Chá de coca é servido à vontade (albergues, hotéis, restaurantes). A coca, para eles, não é droga (aliás há algumas camisetas com a frase La coca no es droga). Tomei o chá uma ou duas vezes e também masquei a folha (na Bolívia, a 5.400m de altitude), mas a planta, embora contenha o alcaloide cocaína, não causa os mesmos efeitos da droga (http://en.wikipedia.org/wiki/Coca).

Em Cusco faz frio durante o inverno, especialmente de noite.

Cusco – Perú

Chegando à Plaza de Armas, que fica na frente da Catedral (Cusco)

Uma rua qualquer em Cusco

Plaza de Armas (Cusco)

Em Cusco, além dos mercados artesanais, há também muita gente (homens, mulheres e crianças) nas ruas vendendo de tudo, como gorros, luvas, meias, etc. Também há pedintes. Comprei meias e luvas de alpaca (animal que parece um lhama bem peludo), a um preço pequeno. Não duram muito, mas ajudam no frio.

Não há muito para dizer sobre a cidade, salvo que ela merece ser conhecida (e não apenas Machu Picchu). Como há lugares mais altos e outros mais baixos, cada qual com pontos interessantes para visitar, e como não tínhamos muitos dias em Cusco, elaborei um roteiro que começava por um dos pontos mais altos (como a Plaza de San Blas), para onde fomos de táxi bem cedo, para depois descermos caminhando, parando nos mercados, etc.

Quase ia esquecendo: em Cusco nós fomos em alguns pubs e boates. Na boate “Mama Africa”, que fica perto da Plaza de Armas, conhecemos gente do mundo inteiro (mesmo!). O clima lá é… bom, a foto abaixo é autoexplicativa:

Boate Mama Africa (Cusco)

<<< Até aqui:

  • Hospedagem: US$ 10 (R$ 17/noite);
  • O passeio de táxi custava em média PEN$ 3 (uns R$ 2), mas claro que pode variar;
  • Cerveja Cusqueña: PEN$ 6 (R$ 4 em média);
  • Pizzas: PEN$ 25 (R$ 16,50 em média).

OBS1: Pelo menos durante o inverno o clima é seco. Compre garrafas de água de 1 ou 2 litros e leve na mão ou mochila. Cuidado com os efeitos da altitude, porque você realmente se cansa mais rápido que o normal. No primeiro dia pare, descanse e não abuse. Entre os efeitos da sorojchi (mal de altitude), caso você a sinta, estão vômito, náusea, dor de cabeça, diarreia, etc.

JANEIRO DE 2014: Relatos recentes de amigos que fizeram a viagem por terra em dezembro/2013 e janeiro/2014 dão conta de que houve desmoronamento no trecho entre Puerto Maldonado e Cusco, por isso é pouco recomendável percorrê-lo de ônibus ou carro no período, sob risco de ter que voltar ou ficar “preso”. É recomendável consultar as autoridades antes, já que os peruanos estão habituados a esse tipo de incidente e costumam resolvê-lo com alguma rapidez, obviamente a depender da gravidade.

O trecho Puerto Maldonado -> Cusco, como dito no post anterior, pode ser feito de avião. Durante a elaboração do roteiro optei por fazê-lo por terra, considerando: 1) a possibilidade de observar a mudança de paisagem; 2) a adaptação à altitude, mais gradativa; 3) o preço.

Apesar disso, vale a dica: durante a época de chuva aqui no hemisfério sul (novembro a março, mais ou menos), é possível que a viagem de ônibus leve mais tempo em razão dos bloqueios nas estradas; como você está indo em direção aos Andes, nascente de muitos rios, é normal a travessia de alguns pequenos trechos de água, cruzáveis no próprio carro (ônibus, caminhonetes, etc). Por conta da chuva o fluxo de água pode aumentar e estes trechos ficarem maiores, e nesta situação ninguém atravessa (leia abaixo para entender). Por isso, é recomendável que se analise, a depender do espírito do viajante, a possibilidade de fazer este trecho de avião (Puerto Maldonado -> Cusco).

Você pode encontrar passagens aéreas nos seguintes sites:
LAN Airlines
STAR Peru
entre outras.

Pois bem.

O ônibus de Puerto Maldonado a Cusco saiu no horário. Depois que deixamos a cidade vimos que praticamente toda a extensão da estrada está sendo trabalhada. O trecho de 530km levou 30 horas, pra se ter ideia. Apesar disso, foi interessante pra notar a mudança de clima e de vegetação, bem como pra se acostumar com a altitude de Cusco, que é de 3.400m sobre o nível do mar.

Trabalhador na via entre Puerto Maldonado e Cusco (Perú)

Trabalhador na via entre Puerto Maldonado e Cusco (Perú)

Trecho da estrada entre Puerto Maldonado e Cusco (Perú)

Trecho da estrada entre Puerto Maldonado e Cusco (Perú)

A parte mais crítica foi, com certeza, quando tivemos de parar durante a noite porque a estrada ficou bloqueada; o motivo? Um dos vários “riozinhos” que cruzamos pela estrada havia transbordado por causa da chuva, e um caminhão ficou preso no meio. Ninguém passava. O nosso motorista saiu da cabine e nos avisou: “vamos dormir na estrada porque o caminho está fechado. Boa noite”, tudo com a maior calma. Nós ficamos sem entender nada, e no ônibus fazia calor; mais ainda porque, por conta da chuva, não era possível abrir os vidros. Ainda de madrugada fui tentar entender o motivo da parada e peguei mais chuva. Foi uma noite ruim. Acordamos cedo pra registrar.

Caminhão preso em um rio entre Puerto Maldonado e Cusco (Perú)

Caminhão preso em um rio entre Puerto Maldonado e Cusco (Perú)

Os peruanos pareciam encarar aquilo tudo com alguma normalidade, então talvez seja usual que isto aconteça. Fazia frio de manhã, e o motorista desse caminhão teve de pular na água pra se livrar de uns troncos que estavam presos na roda e na frente do carro. De um lado e de outro do rio, centenas de “espectadores”. Ninguém podia vir, ninguém podia ir.

De repente um trator da empresa que trabalha na construção da estrada apareceu e tentou “nivelar o solo” do rio, que é basicamente de pedras. Apesar do esforço, alguns carros ainda ficavam presos, e aí o tal trator, que andava sem dificuldades, rebocava. Por isso, segundo ouvi um peruano dizer, “todo motorista tem que ter seu cabo de aço”.

É interessante notar nestas fotos que vamos nos aproximando dos Andes.

Trator tenta "consertar" a estrada (ou rio) e reboca os carros presos (Perú)

Trator tenta “consertar” a estrada (ou rio) e reboca os carros presos (Perú)

Nosso ônibus tentou passar, ficou preso e foi rebocado. Não demorou muito.

Costumávamos parar em horários determinados para tomar café-da-manhã, almoçar e jantar. Nada disso está incluso na passagem; na dúvida sobre o que comer, acompanhávamos os peruanos. As refeições não são caras, mas infelizmente não tomei nota destes valores, mas talvez em todo o trajeto tenhamos gastado PEN$ 20, ou mais ou menos R$ 13.

Entre pão com ovo no café, biscoitos durante o dia e outras coisas mais, comemos um coração de boi preparado por este gentil peruano, que assoprava na carne e no fogo com um cano metálico.

Coração de boi assoprado (Perú)

Coração de boi assoprado (Perú)

No caminho há muitas curvas íngrimes, precipícios, rios e pontes. Assusta, mas tudo é realmente muito bonito.

Pequena ponte na estrada entre Puerto Maldonado e Cusco (Perú)

Pequena ponte na estrada entre Puerto Maldonado e Cusco (Perú)

Ônibus da companhia Iguazú, na estrada entre Puerto Maldonado e Cusco (Perú)

Ônibus da companhia Iguazú, na estrada entre Puerto Maldonado e Cusco (Perú)

A algumas horas de Cusco, o visual completamente diferente (Perú)

A algumas horas de Cusco, o visual completamente diferente (Perú)

Imagem de satélite do trecho entre Puerto Maldonado e Cusco

Imagem de satélite do trecho entre Puerto Maldonado e Cusco

>>> Até aqui:

Neste trajeto de ônibus não gastamos mais de R$ 30.

OBS1: Leve na mochila água, comida (biscoitos e frutas, p. ex), e antes de sair de Puerto Maldonado deixe a máquina fotográfica bem carregada. Como já escrevi, o mais interessante é observar a mudança de clima e, por consequência, de vegetação e paisagem, saindo da floresta para os andes.

A viagem pelo Peru, Bolívia e Chile foi planejada com base em relatos, nacionais ou não, que contribuíram imensamente pra escolha dos trajetos. É verdade que muitas das informações se mostraram imprecisas e/ou vagas e acabaram atrapalhando, mas, no fim, deu tudo certo e voltamos em paz. Por isso, como forma de contribuir com quem pretende conhecer parte do rico continente sulamericano, e até mesmo para dirimir as dúvidas dos tantos amigos que têm a mesma vontade, é que uso este espaço.

1. a – De Porto Velho a Iñapari (PERÚ)

Saímos de Porto Velho (Rondônia) com destino a Rio Branco (Acre) de avião, numa sexta-feira, e chegamos por lá na hora do almoço (o voo leva 45min). Por isso, depois de comer, procuramos um táxi que concordasse em fazer a corrida até Assis Brasil (Acre), a conhecida cidade na tríplice-fronteira (Brasil, Bolívia e Perú).

Você pode encontrar alguns táxis mais facilmente na rodoviária de Rio Branco, e eles geralmente concordarão em ir até Assis Brasil quando o carro estiver cheio, com 04 (quatro) pessoas mais o motorista. Caso não encontre companhia, não perca tempo e negocie o valor do carro, pagando um pouco a mais.

A empresa de ônibus REAL NORTE também faz a rota Rio Branco -> Assis Brasil (e salvo engano em breve fará — ou já faz — até Puerto Maldonado). Quando pesquisei havia muita informação desencontrada. Em todo caso, consulte.

Placa entre Epitaciolândia e Assis Brasil, no Acre

Placa entre Epitaciolândia e Assis Brasil, no Acre

Ainda em Rio Branco o taxista disse que nos levaria até Epitaciolândia (Acre), onde trocaríamos de carro e de motorista (sem pagar a mais por isso). Todo o trajeto deve ter durado cerca de 4h (quatro horas), pois chegamos de noite na alfândega Brasil – Perú.

Alfândega Brasil - Perú

Alfândega Brasil - Perú

Caso não consiga encontrar um carro que vá direto a Assis Brasil, é possível ir até Epitaciolândia ou Brasiléia (pra onde muita gente vai fazer compras, já que é fronteira com a Bolívia) e de lá pegar outro táxi. O trecho brasileiro da chamada “Estrada do Pacífico” está bem asfaltado e não tivemos problema neste sentido.

Na alfândega está um pequeno ponto de fiscalização de tráfego internacional terrestre da Polícia Federal. Lá será preciso preencher um cartão de saída e carimbar o passaporte com a saída do Brasil; é rápido, e você precisará guardar uma via do cartão de saída junto ao passaporte (eu usei clipes de metal). Tire eventuais dúvidas com os policiais.

(Importante: o posto da PF do Brasil fecha às 20h30 — horário local, enquanto o peruano fecha às 19h30. Segundo os policiais, o dia da saída  do Brasil deve ser o mesmo da entrada no Perú, por isso organize bem os horários).

Cartão de saída preenchido na Polícia Federal (Brasil)

Cartão de saída preenchido na Polícia Federal (Brasil)

Depois disso já estava na hora de praticar o “portuñol”. O taxista brasileiro que nos levou até a alfândega chamou dois táxis peruanos, que nos levaram até o posto de controle do Perú, que fica a uns 05min de carro da alfândega brasileira, já na pequeníssima cidade peruana de Iñapari (que se diz “inhapári”).

(Importante: escolha um táxi em boas condições para encarar a estrada)

No posto de controle peruano foi preciso preencher um cartão de entrada, parecido com o cartão de saída brasileiro (mas em espanhol, claro), e o sujeito carimbou os passaportes depois de conferir se estava tudo certo. Depois disso tivemos de ir até uma sala quase ao lado, onde havia um policial fardado, que só conferiu nossos dados e anotou algo no computador. Em cima do carimbo de entrada o sujeito escreveu o número 30, indicando a quantidade máxima de dias a permanecer no país.

Depois que o nosso chofer, Adrian — que virou Adriano –, preencheu alguns outros papéis com os nossos dados, rumamos para Puerto Maldonado, a uns 230km dali.

O terrível táxi peruano

O terrível táxi peruano

>>> Até aqui:

  • Passagem de avião de Porto Velho (RO) a Rio Branco (AC): R$ 74;
  • Táxi de Rio Branco a Assis Brasil: R$ 50 (por pessoa) (R$200 o carro).

OBS1:Embora estes trechos não sejam longos, considere levar água e alguma coisa para comer;
OBS2:Verifique o câmbio de Reais e/ou Dólares para a moeda peruana (Nuevos Soles) na véspera da viagem e tome nota. Você pode fazer isso diretamente no site do Banco Central do Brasil.
OBS3: Em Iñapari, bem na porta da imigração, havia duas senhoras trocando dinheiro, a um preço um pouco menor do que o câmbio oficial que no dia era o seguinte:
R$ 1,00 = PEN$ 1,51 (trocamos a PEN$ 1,45)
US$ = PEN$ 3,02 (trocamos a PEN$ 2,95, salvo engano)

*    *    *


1.b – De Iñapari a Puerto Maldonado (PERÚ)

A viagem até Puerto Maldonado não deveria levar mais de 3h de táxi, já que o percurso é de mais ou menos 230km. A estrada é curiosamente bem asfaltada e sinalizada durante a maior parte do tempo, com alguns pequenos trechos de chão batido no meio e um outro maior no final, antes de chegar ao rio “Madre de Dios”. Há operários trabalhando na construção da via incessantemente, durante o dia, a noite e a madrugada.

Bom trecho de estrada entre Iñapari e Puerto Maldonado (Perú)

Bom trecho de estrada entre Iñapari e Puerto Maldonado (Perú)

O problema mor deste trecho foi uma espécie de pane elétrica sofrida pelo táxi do “Adriano”. No meio da noite os faróis simplesmente deixaram de funcionar, e aí eu tive de colocar metade do corpo pra fora do carro e iluminar a via com o flash do celular; diminuímos a velocidade e assim seguimos por um bom tempo.

Pra nossa sorte havia uma bonita Lua iluminando o caminho, mas quando a bateria do telefone acabou passamos algum sufoco, só com as luzes do pisque-alerta. Ainda com sorte encontramos uma lojinha aberta (e já eram cerca de 21h) que vendia laternas pequenas. Compramos duas. Por conta disso, de um rápido fechamento na estrada para manutenção e de um atolamento (ainda sem faróis!), levamos mais de 4h pra fazer o trajeto que deveria durar menos de 3h.

Iluminando a estrada com o telefone... (Perú)

Sem faróis, tentando iluminar a estrada com o flash do telefone... (Perú)

O Adrian, um senhor com uns 40 e poucos anos de idade, no começo deu umas porradas no carro, mas depois me pareceu até muito tranquilo e começou a falar de maconha; disse que fumava responsavelmente, que a esposa preparava uma comida e que ele ficava rindo na frente da tevê. No toca-fitas do táxi tocava É o Tchan, etc. Não bastasse isso e a falta de faróis, começou a se distrair com as conversas e a dirigir muito mal. Por isso, pouco antes de chegar à balsa que atravessa o Rio “Madre de Díos” até Puerto Maldonado, atolamos.

Operários que trabalham na estrada a fecharam por 10min. (Perú)

Operários que trabalhavam na construção da via a fecharam por 15min (Perú)

O trajeto de balsa, que leva a Puerto Maldonado, não dura mais de 05min. As balsas são pequenas e levam só um carro por vez; além disso, cada pessoa deve pagar uma pequena quantia. É um passeio breve, mas interessante.

Balsa que atravessa o Rio Madre de Díos e leva a Puerto Maldonado (Perú)

Balsa que atravessa o Rio Madre de Dios e leva a Puerto Maldonado (Perú)

Em Puerto Maldonado o nosso chofer “Adriano” disse que estava em dívida conosco por conta do aborrecimento causado pelos faróis queimados. Ainda de noite nos levou a diversas “hospedajes” até que encontrássemos uma com vagas suficientes. Depois que achamos uma, ele prometeu nos buscar de manhã cedo para um café-da-manhã farto, no estilo peruano.

Ficamos em uma tal “Hospedaje San Francisco”, depois de negociarmos um preço bem baixo (afinal de contas havíamos chegado tarde da noite a partiríamos de manhã cedo). Havia banheiro nos quartos, com água fria.

Hospedaje San Francisco em Puerto Maldonado (Perú)

Hospedaje San Francisco em Puerto Maldonado (Perú)

O frio e o silêncio noturnos nos haviam enganado: durante o dia faz calor (era julho), o trânsito é bem desorganizado (como parece praxe nas cidades peruanas) e os motoristas buzinam muito. Há raros carros e muitas, muitas motos.

Adriano chegou com vários minutos de atraso (embora no dia anterior tenha falado muito sobre pontualidade) e nos levou, enfim, para o prometido e tão-esperado café-da-manhã (“desayuno”) peruano.

O táxi, Adriano e a placa indicando o Desayuno em Puerto Maldonado (Perú)

O táxi, "Adriano" e a placa indicando o Desayuno em Puerto Maldonado (Perú)

O menú estava escrito em um quadro negro e ninguém entendeu nada. Busquei o dicionário, mas era intraduzível. Confiante de que qualquer escolha seria boa, resolvi arriscar e escolhi um. Para a surpresa do grupo, todos os pratos eram compostos de feijão, arroz e uma partezinha de salada. A diferença entre eles estava na “proteína” que acompanhava cada: havia carne, frango, ovos e peixe. Sim, no café-da-manhã…

O "desayuno" indicado pelo Adriano, em Puerto Maldonado (Perú)

O "desayuno" indicado pelo Adriano, em Puerto Maldonado (Perú)

Depois de mais essa agradável surpresa Adriano nos deixou em uma espécie de avenida, talvez a principal da cidade (e uma das poucas com asfalto), na qual ficam as empresas de turismo que fazem o trajeto até Cusco. A melhor, segundo ele, era a tal de “Maldonado Tours”, e incrivelmente aceitamos o conselho do querido chofer, embora a “Iguazú”, que ficava logo em frente, parecesse melhor (e de fato era). São raros os ônibus que têm banheiro — segundo os peruanos, e o da “Maldonado Tours” não fugia à regra. Era simples, e a empresa só nos garantia mantas pro frio.

Maldonado Tours, em Puerto Maldonado (Perú)

Maldonado Tours, em Puerto Maldonado (Perú)

Depois de compradas as passagens resolvemos contratar uma espécie de moto-táxi para dar uma volta de duas horas pela cidade. O passeio foi bem barato e os taxistas pacientes; paramos pra tirar fotos em alguns pontos e depois fomos ao mercado. Logo em seguida, a pedidos, nos levaram ao bom restaurante “El Califa” e retornaram uma hora depois pra nos conduzir de volta à empresa de ônibus.

O mercado de Puerto Maldonado (Perú) e os moto-táxis com as mochilas

O mercado de Puerto Maldonado (Perú) e os moto-táxis com as mochilas

Restaurante e Cevicheria "El Califa", em Puerto Maldonado (Perú)

Restaurante e Cevicheria "El Califa", em Puerto Maldonado (Perú)

Enquanto o ônibus não saía...

Enquanto o ônibus não saía...

Ônibus da companhia Maldonado Tours, em Puerto Maldonado (Perú)

Ônibus da companhia Maldonado Tours, em Puerto Maldonado (Perú)

>>> Até aqui:

  • Hospedagem de 1 noite em Puerto Maldonado: PEN$ 12 (+/- R$ 8);
  • Café-da-manhã: PEN$ 2,50 (+/- R$ 1,60);
  • Almoço: PEN$ 15,00 (+/- R$ 10);
  • Passeio de 02h pela cidade: PEN$ 5 (+/- R$ 3,30) por pessoa;
  • Cerveja Cusqueña 620ml: PEN$ 6 (+/- R$ 4);
  • Passagem de Pto. Maldonado a Cusco (20h): PEN$45,00 (+/- R$30).

–OBS1: Alguns turistas costumam passar mais tempo em Puerto Maldonado para conhecer a cidade, que é a “capital” da região de “Madre de Dios”. O clima é amazônico, como o nosso, e por isso nos pareceu pouco interessante passar mais tempo lá. Não custa se informar a respeito.
–OBS2: A viagem de Puerto Maldonado a Cusco costuma levar cerca de 20 horas. O ônibus para na estrada permitindo que todos desçam por alguns minutos para almoçar, tomar café e jantar. Ainda assim, leve água e algumas coisas pra comer na mochila; e carregue bem a máquina fotográfica.
–OBS3: É perfeitamente possível pegar um avião de Puerto Maldonado até Cusco, e a viagem é curtíssima; dura uns 45 minutos. Entretanto, como você vai sair de um lugar de baixíssima altitude e pousará em outro muito alto, tome remédio pra “sorojchi” (enjoo de altitude), como as famosas “sorojchi pills” que você encontrará em Puerto Maldonado. O lado ruim é que você perderá grande parte da paisagem. Vide o post seguinte (2. O caminho até Cusco) para detalhes.

Mapa do trecho percorrido

Mapa do trecho percorrido

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